Em um ambiente em que a volatilidade deixou de ser conjuntural e passou a ser estrutural, a atuação em conselhos exige mais do que experiência acumulada — exige rigor na leitura financeira. O aumento do prêmio de risco global, as tensões geopolíticas e a instabilidade política em economias centrais impactam diretamente custo de capital, câmbio e geração de caixa das empresas, independentemente do porte ou setor.
Na prática, isso tem reforçado na minha atuação como conselheiro a necessidade de aprofundar a análise para além da leitura formal de DRE e balanço. Indicadores de liquidez passaram a ser centrais para avaliar resiliência no curto prazo; a estrutura de endividamento, essencial para testar a capacidade de atravessar ciclos adversos; e métricas de rentabilidade como ROE, ROA e margem líquida, fundamentais para questionar a consistência econômica das decisões estratégicas. Relações como dívida/EBITDA deixaram de ser números acessórios e passaram a definir o nível de risco aceitável em cada decisão do conselho.
Esse olhar mais disciplinado eleva o nível das discussões, qualifica a tomada de decisão e fortalece a governança — seja em processos de expansão, reestruturação financeira ou preservação da sustentabilidade de longo prazo.
Em tempos de incerteza, conselhos não falham por falta de opinião — falham por falta de profundidade financeira. A pergunta que fica é: os conselhos dos quais você participa estão realmente preparados para decidir sob pressão?
Artigo reflexivo com base na aula "Fundamentos Financeiros e Contábeis para Conselheiros", ministrado pela excelente orientadora Sara Velloso, abrindo nossos olhos para os dados escondidos nas DREs. Programa Finanças para Conselheiros, da Board Academy.